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PROFIT, PEOPLE AND PLANET


 

O título em inglês é só para impressionar, é para chamar a atenção para um assunto que afeta a todos nós e que nem todos se conscientizaram de sua importância.

Eu falo da evolução da humanidade e do mundo capitalista, agora não mais dividido entre oriente e ocidente, conflitando com a preservação ambiental e com a responsabilidade social.

Nos primórdios da industrialização, final do século XIX e início do século XX, grandes pensadores como os sociólogos Karl Marx e Max Weber, diziam que a preocupação com o meio ambiente era totalmente incompatível com o lucro e durante muito tempo essa teoria, com ares de premonição foi aceita e, para confirmá-la todo tipo de atrocidade contra a natureza foi cometida.

Os fins justificavam os meios. Ao menos era isso que pensavam os grandes empreendores da época. Os recursos naturais eram aparentemente inesgotáveis, ninguém precisava se preocupar com o desperdício e as agressões cometidas. Água, florestas, minerais sólidos, petróleo, tudo era farto e por isso retirado da natureza sem nenhum critério ou preocupação com o futuro, afinal o lucro e o progresso eram evidentes e poucos ousavam questionar os métodos até então.

Esse processo foi muito acelerado na Europa e EUA no início do século passado e ajudou a elevar vários países ao invejável patamar de desenvolvimento que se encontram hoje. Esses países exploraram não só os seus próprios territórios como o de outros com economias frágeis, que aceitaram esse tipo de exploração achando que poderiam aproveitar para também se desenvolverem. Isso não aconteceu, os pobres continuam pobres e os ricos (que continuam ricos) felizmente se aperceberam que o fim dos recursos naturais está próximo e que isso vem acarretando uma série de efeitos indesejáveis que, quando previstos num passado não muito remoto soavam como alucinações de profetas do apocalipse.


 

As alterações climáticas são um dos efeitos indesejados desse processo mais comentados na mídia e de conhecimento do público em geral devido aos furacões, tsunamis e outros desastres da natureza transformados pela imprensa mundial em um verdadeiro show de horrores que ajuda a vender e, portanto a gerar lucro. Mas essa não é a melhor e nem a única forma de se lucrar com isso.

Empresas de diversos segmentos da economia começaram a ver a responsabilidade ambiental como um dos fatores fundamentais para a continuidade de seus negócios, descobriram e provaram com a práticaque os famosos sociólogos citados acima estavam equivocados. É possível lucrar, e muito, com práticas ambientalmente responsáveis.

Várias empresas têm como atividade principal a prestação de serviços na racionalização de água ou energia elétrica, só para citar um exemplo. Quem contrata os serviços dessas empresas está lucrando com a economia gerada e colaborando com a economia de recursos naturais, as prestadoras desse serviço, por sua vez, existem única e exclusivamente em razão da escassez de recursos que causa a alta de preços.

É um segmento da economia crescente e promissor, que ajuda a aumentar a expectativa de vida do planeta gerando empregos e benefícios para a população e lucro para os empresários.

A propósito, profit, people and planet, em português quer dizer lucro, povo e planeta, não podemos mais pensar em nenhum deles isoladamente. Os sociólogos do século XXI já devem ter aprendido isso.

Luiz Eduardo Neves Loureiro
consultor associado