Muito se tem dito a respeito da infelicidade do executivo.
Pressão por resultados, obrigação de progredir na carreira, chefes, equipes, pares, desequilíbrio entre vida social, profissional e familiar... Os motivos são inúmeros, as justificativas são verdadeiras, esse problema já é muito conhecido e, por isso, cada vez mais debatido e pesquisado.
A professora Betânia Tanure, da Fundação Dom Cabral, liderou uma equipe de pesquisadores em um trabalho sobre esse tema e o resultado gerou o livro chamado Executivos: Sucesso e Infelicidade, nele ela conta o que ouviu em suas entrevistas com quase 300 executivos, entre presidentes, vice-presidentes, diretores e gerentes.
Problemas como insegurança, solidão e baixa auto-estima parecem ser mais comuns no topo da pirâmide do que eu imaginava.
Como a situação relatada é muito discutida e comentada e, obviamente preocupante, pouco se fala sobre o executivo feliz. Certamente existem dentro das organizações pessoas que, em que pese a carga de responsabilidade que carregam com a função, conseguem equilibrar suas emoções e sua energia para não ser consumido pela pressão e pelo estresse.
Não fiz pesquisa nesse sentido ainda, mas fico imaginando quais são os diferenciais que esses profissionais apresentam, alguns me parecem um tanto óbvios, mas ainda assim vou relacioná-los:
- Trabalha no que gosta? Ou, no mínimo, não odeia o que faz?
- Mantém tempo para a vida pessoal?
- Convive bem, com a família?
- Mantém amigos fora do ambiente de trabalho?
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- Tem um hobby de que realmente gosta? (golfe com o chefe não vale).
- Os valores da sua empresa são congruentes aos seus?
- Busca o crescimento, fazendo bom uso da ambição?
- Tem uma vida financeira organizada?
- Mantém um apoio espiritual?
Notaram que os diferenciais estão em forma de questionamentos? É porque eu não tenho certeza se esses fatores tornam um executivo feliz, mas acredito que ajude.
Qualidade de vida não tem nada a ver com uma casinha branca na colina, com um cachorro solto brincando com as crianças e um bolo de fubá no forno, esperando pela hora do lanche, apesar disso parecer bem gostoso.
A qualidade de vida, que resulta em mais momentos de felicidade, está diretamente ligada ao equilíbrio e o auto-conhecimento. Conhecer e respeitar seus limites, mas manter metas grandiosas e relevantes. Dar 110% de empenho no trabalho, mas valorizar cada segundo do convívio com a família. Ser sério e focado quando a situação exige, mas manter o bom humor e a espontaneidade. Ser firme na busca de seus objetivos, mas se permitir o ócio e o lazer. Querer construir, crescer e progredir sempre, mas com a consciência de que é um ser humano.
O homem veio ao mundo para ser feliz e isso não é tão difícil, basta investir no seu auto-conhecimento, respeitar os seus limites e principalmente permitir-se ser feliz, pois a felicidade é resultado da maneira como se escolhe levar a vida.
Só depende de nós!
Luiz Eduardo Neves Loureiro
consultor associado |